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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Qual a Origem da Língua Portuguesa?

Tudo começou no início do século III, por volta do ano 218 a.C., durante a expansão do Império Romano no oeste da Península Ibérica. Com a invasão da península, os romanos impuseram sua cultura, religião, filosofia, suas políticas administrativas e educacionais aos povos conquistados. E, claro, que a sua língua, o latim, não ficou de fora.

O latim passou, então, a exercer uma grande influência na região, sendo disseminado tanta pelas camadas mais altas da sociedade, já que tinham de lidar com a administração romana, quanto pelas 'pessoas do povo', como os soldados, camponeses e mercadores vindos de várias províncias e colônias romanas.

No entanto, coexistiam, nesse período, duas 'modalidades' do latim: o sermo cultus ("língua culta") e o sermo vulgaris ("língua vulgar"); sendo a primeira, uma modalidade mais estilizada e polida, utilizada geralmente por pessoas escolarizadas e o segundo, uma variedade mais coloquial, utilizada por camponeses e soldados. 

O então chamado latim vulgar, por ter sido mais livre e disposto a aceitar mudança, deixou-se misturar com as línguas locais nativas dos povos ibéricos, propiciando a transformação gradativa desta variedade linguística ao longo do Império Romano - sem perder, no entanto, o seu papel de lingua franca, isto é, de elo de ligação entre os povos existentes naquele território.

Já modificado, o latim vulgar ainda recebeu a influência das línguas germânicas, eslávicas e iranianas durante a invasão dos 'povos bárbaros', no ano 409 d.C., quando o Império Romano estava em declínio. E, mais tarde, com o rompimento total da unidade do império, esta variedade linguística sofreu outras transformações...
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O fechamento das escolas e da administração romana ocasionou o isolamento das comunidades e o latim vulgar perdeu a sua uniformidade e passou a regionalizar-se. Foi a partir daí que surgiram as línguas ibero-românicas, como o catalão, o castelhano e o galego-português.

O galego-português, também referido como português arcaico, foi a língua falada nas regiões de Portugal e Galizia durante a Idade Média e dela descendem as atuais línguas portuguesa e galega.

É importante mencionar que, com a invasão islâmica da Pensísula Ibérica, a partir do ano 711 d. C., o árabe acabou deixando a sua marca na língua que se tornaria, no futuro, o português; já que ele foi utilizado como língua administrativa enquanto o território estava sob o poder dos muçulmanos. A influência árabe deu origem, inclusive, aos dialetos moçárabes no sul da península. 

Por fim, em 1143, o reino de Portugal, anteriormente denominado O Condado Portucalense (1093-1139) - um ducado integrante do reino da Galiza – foi formalmente reconhecido. Com o advento do novo reino, surgiu também a necessidade de se ter uma língua oficial que traria uma identidade nacional, pois o latim culto ainda era a língua utilizada em documentos oficiais, tanto do Estado quando da Igreja, pela literatura e pela ciência.

Assim, em 1290, o galego-português foi nomeado português, passando a ser usado na redação das leis e na produção literária, de uma forma geral. Inicialmente, os dialetos galaico-portugueses falados na região de Lisboa, Centro do Reino, foram usados como base para norma culta da nova língua. 

Ocorre que o português, assim constituído, foi submetido a regras e normas gramaticais mais fixas e recebeu, ao longo do tempo, um caráter de uniformidade. Foram incorporadas expressões novas, que em grande parte se baseavam no latim culto ou até em outros idiomas. Essas inovações eram pronunciadas com terminações e formas similares às que já andavam em voga. Dessa forma, a língua oficial do reino de Portugal pôde aos poucos emacipar-se do falar regional que lhe deu origem e adquirir uma feição mais erudita e nobre.

Consolidando a normatização da língua, Fernão de Oliveira publicou a primeira gramática da língua portuguesa, a Grammatica da lingoagem portuguesa, em 1536, em Lisboa. A obra do heterodoxo frade dominicano, diplomata, escritor, filólogo e tratadista naval em breve seria seguida.

Em 1540, João de Barros, funcionário da coroa e tesoureiro da Casa da Índia - uma organização portuguesa criada por volta de 1503 para administrar os territórios portugueses além mar e todos os aspectos do comércio externo, navegação, desembarque e venda de mercadorias - publicou a Gramática da Língua Portuguesa e diversos diálogos morais a acompanhá-la, para ajudar ao ensino da língua. Considerada a primeira obra didática ilustrada no mundo, dedicada a informar aos jovens aristocratas, a quem se dirigia, incluia também fundamentos básicos da Igreja Católica.

Depois de um longo período de mudanças correspondentes a todo o final da Idade Média, o português foi difundido em diversas regiões do mundo, como nos continentes americano, africano e asiático, no momento das grandes navegações portuguesas entre os séculos XV e XVI.

Pelo fato de ter alcançado vários continentes, a língua portuguesa se tornou uma língua franca durante a expansão do império marítimo português, usada por diversos povos, inclusive por outros reinos europeus, para manter as relações comerciais e a administração de rotas, colônias e feitorias.

O português é a língua oficial de (Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste) oito países do mundo, espalhados em quatro continentes. Ao contrário do que muita gente pensa, o espanhol não é o parente mais imediato do português, mas o galego, a última língua do tronco romântico a se separar de nosso idioma. Trata-se de uma língua falada na Galícia, uma região da Espanha, e nas áreas de imigrantes galegos na Argentina, Cuba e Uruguai. Aliás, o nosso tronco linguístico se chama “romântico” porque tanto o galego quanto o português são descendentes de uma língua agora extinta antigamente chamada de romanço. O romanço tinha uma conotação pejorativa, uma vez que era uma mistura de línguas derivadas do latim vulgar.

Hoje, o português é a sexta língua nativa mais falada no mundo, a quinta língua mais usada na internet e é celebrada no dia 5 de maio pela comunidade dos países de língua portuguesa.

2 comentários:

António Jesus Batalha disse...

Seu blog é encantador, estive a ver e ler algumas coisas, não li muito, porque espero voltar mais algumas vezes,mas deu para ver a sua dedicação e sempre a prendemos ao ler blogs como o seu. Se me der a honra de visitar e ler algumas coisas no Peregrino e servo ficarei radiante, e se desejar deixe um comentário. Abraço fraterno.António.

Luana Rita Marmoratto disse...

Como profa.de língua portuguesa, exultei com esta matéria e aproveitei pra fazer uma revisão!
"Nossa pátria é nossa língua".

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